sábado, 4 de julho de 2015

Meggido

Tudo está parecendo tão surreal
O mundo rompeu com seus eixos
O que era normal virou anormal
Presos num pântano de desleixos

A pobreza já não gera superação
Virou apenas uma desculpa vazia
Justificando latrocínio e corrupção
Sagrados mandos da mais-valia

O respeito virou mercadoria
E a vida foi reduzida a objeto
Educação tornou-se especiaria
E religião um negócio abjeto

Mas não é o mundo que está horrível
É a humanidade que não mais presta
Ser honesto é uma opção discutível?!
Meggido é o que de melhor nos resta?!




quarta-feira, 1 de julho de 2015

Renovação


Contemplando estrelas na noite fria
Feito nuvens vagam as lembranças
Em ventos de sonhos e esperanças
Sopros da saudade que me angustia

Mas não quero retornar àqueles dias
Não quero reviver aqueles tormentos
Que tornavam noites ainda mais frias
Que só traziam dores e sofrimentos

Rogo às estrelas que me acalentem
Peço ao vento que leve as lembranças
Sob o luar que novos sonhos cheguem
Que a aurora traga novas esperanças

Não tenho o peso de arrependimentos
E não quero refazer os mesmos erros
Quero apenas viver novos momentos
Dando aos velhos os seus desterros

  


domingo, 28 de junho de 2015

Uma Doce Sina



Tua luz me traz a fé e fortalece a esperança
Mas a estrada para o amanhã nunca termina
Mesmo assim seguiremos fielmente essa sina
Guiados somente por uma alegre lembrança

Essa tua promessa enche os meus olhos de luz
E teu testemunho rompe o vórtice da escuridão
Ascendendo aos deuses nosso clamor se conduz
Buscando a paz tão almejada em meu coração

Seguras tudo que vale a pena ser protegido
Mantendo-as firmemente em tua mão direita
Conservando sempre o que é mais querido
Estes sentimentos que a fazem tão perfeita

Assim seremos capazes de juntos permanecer
Não importando quão mudado esteja o mundo
Em direção ao futuro nós iremos sempre correr
Vivendo este amor intenso em cada segundo  


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Novos Vendilhões



Sinto a fúria destes novos vendilhões
Que conquistaram o templo de Deus
E também os inocentes corações
Que buscavam os auxílios seus

Agora tentam perverter Marianne
Passando-se por meros serviçais
Escondendo seus desejos bestiais
Colocando a Res Publica em pane

Eles se esqueceram do poder das ideias
Buscando apenas as ideias de poder
Falam em ser, mas só visam o ter
As Sacras Palavras viraram prosopopeias

Que Deus proteja o Estado Laico
Para que cada um tenha a sua fé
Preservada na forma como ela é
Desde o tupi-guarani até o judaico


domingo, 21 de junho de 2015

Homo Est Machina

Ele respira em busca de pão
Desde o levante até o poente
Na própria vida está ausente
Pela rua só olha para o chão

Não se lembra mais da esperança
Não procura mais pela alternativa
Dia trabalhoso e noite pensativa
Sem sonho, objetivo ou vingança

O coração tanto apanha quanto bate
Perdido o perdão perdura a perdição
Para a morte apenas mais um abate
Fez da sobrevivência a sua maldição

O amor que ganhou fora esquecido
Faz confidências apenas à solidão
Orar é só um velho hábito mantido
Mesmo sob a luz está na escuridão


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Vento Maroto

Ouço o cantar do vento
Correndo entre nuvens
Sobre o vale sedento
E suas secas ramagens

E toda vida implora
Pela benção da chuva
No clarão da aurora
Para o vôo da saúva

Pelos brotos que virão
Pela beleza das flores
Pelas sementes no chão
Para se ter mais cores

Mas o vento, infantilmente
Levou as nuvens consigo
Brincando impunemente
Com essas vidas em perigo


domingo, 14 de junho de 2015

Desejos e Lembranças

Eu me lembro da maciez da tua pele
Eu me lembro da doçura de tua boca
Da paixão que teu olhar me provoca
E o ébrio aroma que teu corpo expele

Não quero mais viver de lembranças
Quero de volta o calor de teus braços
Quero de novo teus úmidos enlaços
Quero-nos sorridentes feito crianças

Mas onde estará você agora?
O vento minuano nada me fala
A lua crescente nada propala
E nada vem me dizer a aurora

A primavera já se fora sem ti
O Verão não a trouxe de volta
Em meu coração só há revolta
Por toda a dor que eu já senti