quinta-feira, 29 de junho de 2017

Despir

Dispo-me hoje de minhas mazelas

Dispondo de todos os maus desejos

Meu ego déspota se fez em quirelas

No despertar de sonhos andejos



Despindo-me hoje de meu antigo eu

Despeço-me de todos meus pecados

Que dispersaram sonhos inacabados

Despertando o mal que em si nasceu


Também me despirei de minhas dúvidas

Que despertaram em mim a inação

Dispersando em meu torno a inanição

Dispondo a morte em todas as vidas


Tenho que me despir de minhas ambições

Para despedaçar essas tolas ilusões

Que disparam dores em meu coração

E assim despedir-me-ei desta solidão

segunda-feira, 24 de abril de 2017

A Massa



Eles vagavam perdidos em torpes ilusões
Cultivando rancores que outros semearam
Com o medo irracional de seus corações
Pelos desejos destes outros eles clamaram

Outros estes que não tinham mais voz
Mas que ainda detinham parte do poder
E pela ganância não se deixaram perecer
Buscando saciar a sede da forma mais feroz

E aqueles que a todos protegiam
Como malignos foram marcados
Seus poderes acabaram minados
Desmoronando tudo o que erigiram

E agora os primeiros continuam vagando
Na amarga realidade que os outros criaram
Por um salvador estão todos procurando
Sem perceber o mal maior que plantaram


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Sereno Silêncio


Deixei minhas memórias congelarem
Como poemas numa longa noite fria
Onde as estrelas não mais aquecem
E a lua já não mais serve como guia

Frases macias de anseios inexprimíveis
De todo afundadas em sereno silêncio
Esperando pela luz para serem visíveis
Desejando liberdade no escuro preênsil

No sereno silêncio tudo pode acontecer
Enquanto carregarem o anseio pela luz
Podendo ainda um futuro vir a conhecer
É metamorfose que a esperança conduz

No silêncio olhando as estrelas seguirei
Sem me preocupar em ter a lua como guia
Congelando poemas nessa longa noite fria
Esperando reencontrar a luz que desejei