terça-feira, 10 de outubro de 2017

Canário



Eu apenas bato as minhas asas!

Estou sempre cantando, dormindo ou acordado
Minha existência é igual a de um canário
Pelos meus reluzentes e doces ideais, enclausurado
Ninguém pode sequer me tocar neste cenário
Sigo sempre cantando, sóbrio ou embriagado

Eu apenas bato as minhas asas!

Onde eu durmo no meio deste doce mel
Tudo que eu preciso é cantar
Apenas este é o meu único papel
Então deixe-me apenas aqui ficar
Idéias em grades compõem o meu dossel

Eu apenas bato as minhas asas!

Tudo que eu preciso é gritar
Só isso me deixa invencível
Então apenas me deixe cantar
Por favor não abra minha gaiola invisível
Deixe-me preso neste doce sonhar

Eu apenas bato as minhas asas

Eu começo a cair… de cabeça
Por ondas de realidade e ilusão eu sou levado
Fazendo com que meu dossel desapareça
Num misto de amor e ódio eu sou tragado
Mas abrirei minha boca antes que eu enlouqueça

Eu apenas bato as minhas asas

Mesmo que eu não tenha asas, ainda posso cantar
Indo para longe… bem longe...sem uma parada
Não há mais o que possa me assustar
Já não me importo se me deixaram sem mais nada
Eu sou um canário e por isso vou cantar



quinta-feira, 29 de junho de 2017

Despir

Dispo-me hoje de minhas mazelas

Dispondo de todos os maus desejos

Meu ego déspota se fez em quirelas

No despertar de sonhos andejos



Despindo-me hoje de meu antigo eu

Despeço-me de todos meus pecados

Que dispersaram sonhos inacabados

Despertando o mal que em si nasceu


Também me despirei de minhas dúvidas

Que despertaram em mim a inação

Dispersando em meu torno a inanição

Dispondo a morte em todas as vidas


Tenho que me despir de minhas ambições

Para despedaçar essas tolas ilusões

Que disparam dores em meu coração

E assim despedir-me-ei desta solidão

segunda-feira, 24 de abril de 2017

A Massa



Eles vagavam perdidos em torpes ilusões
Cultivando rancores que outros semearam
Com o medo irracional de seus corações
Pelos desejos destes outros eles clamaram

Outros estes que não tinham mais voz
Mas que ainda detinham parte do poder
E pela ganância não se deixaram perecer
Buscando saciar a sede da forma mais feroz

E aqueles que a todos protegiam
Como malignos foram marcados
Seus poderes acabaram minados
Desmoronando tudo o que erigiram

E agora os primeiros continuam vagando
Na amarga realidade que os outros criaram
Por um salvador estão todos procurando
Sem perceber o mal maior que plantaram


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Sereno Silêncio


Deixei minhas memórias congelarem
Como poemas numa longa noite fria
Onde as estrelas não mais aquecem
E a lua já não mais serve como guia

Frases macias de anseios inexprimíveis
De todo afundadas em sereno silêncio
Esperando pela luz para serem visíveis
Desejando liberdade no escuro preênsil

No sereno silêncio tudo pode acontecer
Enquanto carregarem o anseio pela luz
Podendo ainda um futuro vir a conhecer
É metamorfose que a esperança conduz

No silêncio olhando as estrelas seguirei
Sem me preocupar em ter a lua como guia
Congelando poemas nessa longa noite fria
Esperando reencontrar a luz que desejei


domingo, 16 de outubro de 2016

Descobertas Nefastas

Eu descobri que a Justiça
Pode ser produzida em série
Sustentada por ódio e cobiça
Deixando a sociedade na paupérie

Eu descobri que a maioria
Define aquilo que é certo
Sobre as dores da minoria
Transforma o mundo em deserto

Eu descobri que a maioria
Pode ser manobrada
Para a benesse da tirania
Ela é sempre controlada

Conseqüentemente ter amigos
Faz minha força como humano cair
Eles são apenas testigos
De um mundo que está a ruir

Por isso eu escolhi a solidão
Não quero fazer parte disto
Por isso eu evito a multidão
Destas culpas eu desisto


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Crescente Escuridão


Eu sinto o seu toque
Lá fora cresce a escuridão
Já não há mais tempo para o perdão
Não há como evitar o choque

Fecho os meus olhos
Lá fora cresce a escuridão
O medo se espalha na amplidão
Feito uma praga de abrolhos

Apuro meus ouvidos
Lá fora cresce a escuridão
Toda vida sente essa lassidão
Crescente é o pranto pelos perdidos

Serro os meus dentes
Lá fora cresce a escuridão
Conseqüência de toda essa devassidão
Destruindo corpos e mentes



quarta-feira, 15 de junho de 2016

Quinhentas Vezes


Uma seara em palavras
Algumas doces, outras amargas
Traçando linhas como lavras
Fazendo em letras adagas e adargas

E assim fui por quinhentas vezes
Descrevendo horrores e encantos
Em monocromos ou ricas matizes
Entre alegrais e prantos

Acalentando a verdade
Acareando a mentira
Buscando a felicidade
Balançando entre o amor e a ira

Hoje o poeta pede uma pausa
Mas não se trata de letargia
Meu silêncio é por uma boa causa
E pode ser quebrado pela nostalgia