domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal

Saio pelas ruas à noite,
Vendo as luzes de Natal.
As lojas repletas de gente
E os templos num vazio total.
 
As praças e calçadas iluminadas,
Enquanto os corações estão escuros.
Milhares de pessoas presenteadas,
Mas seus espíritos estão obscuros.
 
O comercio sobrepujou a fé.
O presente substituiu o amor.
E o mundo segue essa maré,
Mesmo sentindo tanta dor.
 
O Aniversariante foi esquecido.
Seu legado foi abandonado.
Esquecemos que Ele é o infinito
E não necessita de nosso agrado.
 
Nossos atos condenam a nos mesmos.
Em nosso abandono somos os abandonados.
Nossos espíritos cada vez mais enfermos,
Formando uma legião de condenados.
 
Como pode o rio rejeitar sua nascente,
Sem condenar a sua existência?
Mas é isso que faz o descrente,
Oferecendo a Deus sua negligência.

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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Corrente da Vida

Entre encontros e desencontros
Em meio a detalhes e nuanças
A vida segue seus meandros
Tal qual a água nas reentrâncias
 
Em cada curva desta descida
Existe um momento de dor
Mas a dor é sinal de vida
Só quem vive sente dor
 
Não lute contra a corrente
Não desafie a gravidade
Siga ao sabor da vertente
Busque sempre a novidade
 
Sinta cada movimento
Aproveite todas as ondas
Explore cada afloramento
Nas calmarias lance sondas
 
Longo parece o percurso
Mas é menor do que você imagina
Tu entras no meio do decurso
E sai de alguma forma repentina.
 
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Sobre a Via Anhanguera



Na passarela sobre a Anhanguera
Recordo-me da ultima vez que te vi.
Era uma manhã fria de primavera
E cantava um solitário bem-te-vi.
 
Os angicos pareciam geados
Devido à profusão de flores.
Seus olhos brilhavam excitados
Cheios de novos amores.
 
Eu não tinha a menor consciência
De que ali seria nossa despedida.
No lugar que por coincidência
Conheci você, amor da minha vida.
 
Tu estavas a minha espera
Como sempre naquela manhã,
Observando a Via Anhanguera
Quentinha em seu cartigã.
 
Cheguei mansamente por trás
E te aconcheguei em meus braços.
Fiquei ébrio no prazer que me traz
Estes momentos de entre laços.
 
Você levantou um braço
Até minha nuca encontrar.
Forçando-me ao seu pescoço
Para sua pele eu beijar.
 
E depois deste eterno momento
Que durou apenas um segundo,
Virou-se num único movimento
Olhando-me nos olhos, bem fundo.
 
Então tu me deste uma notícia
Que eu jamais esperava.
E recebi com alegria factícia
Enquanto meu coração parava.
 
Pela Universidade de Coimbra
Você fora finalmente convocada.
Seus anos de estudos com fibra
Proporcionou-te essa jornada.
 
Seus olhos radiavam alegria
Seu rosto denunciava a emoção.
E eu escondi minha agonia
E a dor em meu coração.
 
Sempre tivemos plenas noções
De nossas muitas diferenças.
Você vivia cheia de ambições
E eu querendo parcas recompensas.
 
O mundo era seu limite
O meu mundo é aqui.
Você queria participar da elite
E eu uma casa e um guri.
 
Mas isso não nos impediu
De ficarmos juntos.
Mas agora você partiu
E eu fiquei em prantos.
 
Sinto falta das noites de inverno
Em que nos amávamos no pesqueiro.
Dos beijos entre as juras de amor eterno
Gravadas no tronco do abacateiro.
 
Dos passeios à luz da lua
No calçadão da Estação.
De te sentir totalmente nua
Nas águas do açude do Brejão.
 
Hoje vejo pelo notebook
Suas fotos em Portugal.
Postadas no Facebook
Com novos amigos do local.
 
Lembro-me com muita dor
Daquela nossa ultima conversa.
Em que terminamos nosso amor
E liberdade fora a única promessa.
 
Mas fico muito tempo a imaginar
Se tu já encontraras alguém.
Se tu tens outro em meu lugar
Ou se pensas assim também.
 
Agora atravesso só e sofrendo
A passarela sobre a Anhanguera.
Observando os angicos florescendo
Nas manhãs frias de primavera.
 
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Primavera de Solidão



Antes de para bem longe partir
Fiquei pensando no que deixei de dizer
Hoje de novo vou passar o tempo a sorrir
Mesmo estando o meu peito a doer
 
Naquelas noites de inverno em que o vento soprava
Fiquei pensando “Não quero me separar”
Mas acabei ouvindo coisas que não imaginava
E fui ferido por quem dizia me amar
 
O amanhã chegou e tive que dizer adeus
E hoje ando sozinho suspirando sobre os ipês
Lembrando de planos que julgava meus
Que se desfizeram sem revelarem os porquês
 
As flores que caem dançam e dançam
Ao som da música tocada pelo vento
Mas as feridas do meu coração não amansam
Continuam expelindo todo meu tormento
 
Não importa que tipo de dor atinja meu coração
Nunca vou desistir da busca por uma amada
Vou colocar um final em toda essa solidão
Abrindo a porta que pelo destino foi selada

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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

FAKE

Isso hoje é o que mais assombra
Em todas as redes sociais.
Pessoas que viram uma sombra
Por trás de outras mais legais.
 
Roubam a identidade alheia
Sem cerimônia nenhuma.
Montam mentiras em teia
Para viver on-line de espuma.
 
Carentes de personalidade
Passam a de outro viver.
Por demência ou por maldade,
Enganam fãs com prazer.
 
Quantos “Jonatan Testa” existem no Orkut?
Você não é capaz de saber
Quantas “Bruna Surfistinha” existem no Facebook?
Ninguém e capaz de dizer.
 
Leandro Lebart, Felipe Neto
E muitos outros que nem sei.
São lesados neste jogo abjeto,
Sem nenhuma proteção da lei. 
 
Os provedores e sites nada fazem
Para bloquear tantos falsários.
Múltiplos perfis idênticos se abrem
Sem aviso aos proprietários.
 
Se tu és bonito ou famoso
Tens a identidade duplicada.
Nesse mundo on-line pernicioso
Onde a ética foi abandonada.
 
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domingo, 27 de novembro de 2011

Emoções em Flor

Como posso esquecer
Cada um dos sentimentos
Que percorrem o meu ser
Nos mais fortes momentos?
 
Como posso me livrar
Das dores da perda
Da solidão sem par
Da saudade lerda?
 
O que devo fazer
Para enfrentar o meu medo
Para o meu ódio combater
Para manter o nojo em segredo?
 
Como submeter o amor
Aos fatos e a razão?
Como controlar o horror
Que acelera o coração?
 
Não quero mais
Sucumbir em duvidas
Lamentar erros fatais
Ou me afogar em culpas.
 
Não mais desejo
Arrepender-me do que falo
Lamentar-me do que vejo
Padecer-me do que calo.
 
Quero apenas e tão somente
Viver tranqüilo o meu presente.
 

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Oceano

Estou descalço em pé
Defronte ao oceano azul.
A areia molhada pela maré
E uma brisa suave vem do sul.
 
Sinto o cheiro de sal
E vejo o sol nascendo.
Uma cena tão surreal
Em dourado crescendo.
 
Desaparecem as estrelas do céu
E a lua se põe em minhas costas.
Findando a noite feito carrossel
Pela Terra dando voltas.
 
Os pássaros saúdam o amanhecer
Com rasantes sobre as ondas.
Buscando nelas o que comer,
Pais dedicados fazendo rondas.
 
Caminho até a arrebentação
E sinto a água morna na pele.
O som das ondas como oração
Pedindo a Deus que Se revele.
 
A areia foge sobre meus pés,
A água atrasa meus passos.
Conchas trazidas pelas marés
Brilham inteiras ou em pedaços.
 
Nuvens e barcos no horizonte surgem,
Navegam calmos pelo beijo azul.
Somente o destino sabe o que trazem
De suas viagens pelos mares do sul.

Sinto a paz que habita a praia,
Tão simples e tão deserta.
Da minha alma quero que ela subtraia
Toda dor que ao mal desperta.
 
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Agonia e Êxtase

Frutos gêmeos da alma humana
Que habitam lados extremos.
Ele pode te levar ao nirvana,
E ela aos horrores supremos.
 
São companheiros da Agonia,
O medo, a solidão, o desejo, o desespero, a violência, a vingança e a dor.
Já o Êxtase, solitário por ousadia,
Têm por amigos apenas a felicidade, a fé, o prazer e o amor.
 
Raras são as pessoas que conhecem ambos os gêmeos.
A Agonia persegue a todos, mas é evitada.
E o Êxtase é perseguido por todos, ingênuos,
Pois são poucos os que alcançam sua morada.         
 
A Agonia é muito persistente
E pode nos acompanhar por toda a vida.
Já o Êxtase passa rapidamente
E quase não deixa marcas em sua partida.
 
Quisera eu viver em Êxtase,
E abandonar de vez a Agonia.
Mas isso requer muita ênfase,
Numa vida em plena harmonia.


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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Os Sete Aspectos Da Criação.

Quando surgiu o Pensamento
Ele se pôs a indagar,
Qual era seu fundamento
E onde poderia chegar.

Então o DESTINO foi criado
Para a cada criatura dizer
Qual era o seu legado,
De acordo com seu saber.

Mas ao concretizar sua sorte,
O Pensamento ficou letárgico.
Tornou-se fraco o que era forte,
Um existir muito trágico.

Então a MORTE foi criada,
Para a cada criatura dizer
Que este era o fim da jornada
De acordo com seu saber.

Mas o ávido Pensamento
Rejeitou essa condição
Imaginando em todo momento
Uma melhor situação.

Então o SONHO foi criado
Para a cada criatura dizer
O que podia ser sonhado,
De acordo com seu saber.

Mas apenas de sonho
O Pensamento não pode viver
E surgiu nele um ódio medonho
Querendo a tudo desfazer.

Então a DESTRUIÇÃO foi criada
Para a cada criatura dizer
Que a vida pode ser renovada
De acordo com seu saber.

Mas nem toda renovação
Gerava contentamento
E diante da rejeição
Só havia sofrimento.

Então o DESEJO foi criado
Para a cada criatura dizer
O que não pode ser alcançado
De acordo com seu saber

Mas todo o inalcançável
Foi se acumulando
Uma ansiedade infindável
Acabou se formando.

Então o DESESPERO foi criado
Para a cada criatura dizer
Que o alivio pode ser cultivado
De acordo com seu saber.

E diante desta última tortura
O Pensamento ficou falho
Ele se perdeu na loucura
Sem caminho nem atalho

Então o DELÍRIO foi criado
Para a cada criatura dizer
Que o limite da razão é fixado
De acordo com seu saber.

E foi assim na aurora do tempo
Que os sete aspectos foram criados.
Eles controlam a cada momento
Os reinos que lhes foram dados.
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domingo, 6 de novembro de 2011

Por Você


O que eu faria por você?
Até onde iria por tua causa?
O que eu faço sem você?
Quando vais ter uma pausa?

Você habita meus pensamentos,
Em todas as horas do dia.
Tu ferves meus sentimentos,
Mas em ações me atrofia.

Eu passo os dias a esperar,
Por um sinal qualquer.
Que rompa com o sonhar,
Para realizar o que quiser.

Sua presença ilumina o dia,
Seu olhar é tão profundo.
Seu sorriso me alivia,
Sua voz da cor ao mundo.

O que eu faria por você?
Até onde iria por tua causa?
O que eu faço é por você.
Onde estou é por tua causa.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Dormindo com o Inimigo


Por que alguém diz “Eu te amo”,
Sem realmente ter esse sentimento?
Esse alguém engana a si mesmo,
Para todos mentindo em cada momento.

Aquele que ama de verdade,
Vive com felicidade a relação.
Mas quem fala com falsidade,
Vive infeliz com a situação.

O que leva um ser humano
A viver anos em uma mentira?
Ao dar felicidade sem retorno
Contra a própria vida ele conspira.

Quando mentimos ao dizer que amamos,
Adiamos a nossa própria felicidade.
A nossa vida ao verdadeiro amor fechamos,
Desperdiçamos toda e qualquer oportunidade.

Passear, beijar, brincar, namorar e ir para a cama,
Sem nenhum sentimento no coração.
Viver mentindo ao lado de alguém que não se ama,
Parece-me loucura, um ato de autodestruição.

E quando, finalmente, a verdade vem à tona,
Quem de fato amou sofre, sente-se traído.
Mas em breve a tristeza seu coração abandona,
Pois para quem amou de verdade, nada foi perdido.

domingo, 30 de outubro de 2011

Lilda – Renata – Bah

Quase três anos já se passaram
Desde o final de sua grande luta.
Luta da qual, todos participaram
Com uma esperança absoluta.
 
Era sua grande luta pela vida
Contra um inimigo silencioso.
A Morte em uma investida
Levara teu fígado precioso.
 
Para nesta luta concentrar forças
De seu trabalho abriste mão.
Anos dedicados às especiais crianças
Com muito amor e abnegação.
 
E quando mais força foi exigida
Para nesta batalha continuar.
A Faculdade tão querida
Também tiveste que abandonar.
 
Foram anos de idas e vindas
Do hospital para o lar.
Assistindo ao fim de outras vidas
Dentro da fila para transplantar.
 
Então de uma tragédia distante
Uma grande vitória surtiu.
De um jovem morto ao volante
Um fígado compatível surgiu.
 
Depois das aflições da cirurgia
Veio a alegria e o alivio.
A cada vez que o sol surgia
Sumia seu aspecto doentio.
 
Mas a Morte, paciente
Não abandonou trincheiras.
Continuou silenciosamente
Agindo de outras maneiras.
 
Os meses foram passando
A Faculdade foi retomada.
A Formatura acabou chegando.
Em Fisioterapia você foi diplomada.
 
Com uniforme branco e maleta na mão
Você começava novas jornadas.
Para exercer a sonhada profissão
Entre as crianças tão amadas.
 
Numa bela manhã de março
Novamente suas forças falharam.
Seus órgãos cobravam pelo esforço
Da primeira batalha que travaram.
 
Foram mais meses de idas e vindas
Do lar para o hospital
Mas numa noite de chuva e trovoadas
A Morte ganhava à final.
 
Era mês de novembro
Quente final de primavera
Em nossos corações o assombro
De como a Morte se impusera.
 
De que valeu a batalha?
De que serviu o transplante?
Se tão jovem ganhaste a mortalha
E nós a saudade, torturante.
 
Quisera eu ter as respostas
Para essas duas questões.
Mas nas mãos de Deus elas foram postas
E você continua em nossos corações.      


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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Atmosfera

Brisa.
O calor ameniza.
Aos longos cabelos alisa.
Traga de volta o que harmoniza.
 
Vento.
Ar em movimento.
Sopro que traz alento.
Leve embora todo sofrimento.
 
Ventania.
Plena de energia.
Faz o moinho girar com valentia.
Carregue consigo toda e qualquer porcaria.
 
Tornado.
Um demônio irado.
Tudo do chão arrancado.
Com terror deixe cada espírito marcado.
 
Furacão.
Ira de Deus no chão.
Que traz consigo a inundação.
Revolva toda a Terra provocando renovação.
 
Aragem.
Silenciosa na passagem.
Mal tem forças para mexer a ramagem.
Traga de volta a esperança, a fé e a coragem.



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domingo, 23 de outubro de 2011

O Algibe


Pensamento inapropriado plantado na mente por um ser escuro desconhecido pela sociedade.
Desconcerto sinfônico na queda do véu de um anjo noturno sem missão aparente.
Conversão em espinho envenenado com vingança ao desarraigar um estado de comodidade.
Tudo tem explicação quando ela caminha nas noites, tranqüilamente,
Buscando uma vítima que possa saciar a sede que gostaria de estancar por toda eternidade.


 

As ruas se fazem escuras ao seu caminhar lento
E o calafrio é uma sensação generalizada por onde ela passa.
Assim narra qualquer alma que se digne a cruzar com esse elemento.
Seus passos são firmes porem suaves e com graça.
 
Suas mãos acompanham cada movimento
Que seu corpo realiza ao andar
Em busca daquele que esteja disposto no momento
A conhecer essa estranha criatura sem par.
 
Seu vestido de rendas negras e tule verdete
É tecido com fios de pesadelos inconclusos
E leva um bordado na altura do corpete
Com os nomes de cada uma das suas vitimas inclusos.
 
A maquiagem escorrida é parte de seu encanto,
Mas pobre daquele que se anime a olhar fixo em seus olhos
Que escondem a sombra da morte em cada canto.
Fazendo o suor brotar gelado em todos os poros.
 
Dizem que seus lábios se assemelham ao veludo vermelho carmim
E que foram pintados com um beijo do próprio Satanás.
Também falam de seu fiel companheiro nos passeios noturnos sem fim.
Um gato negro que segue cada pegada que sua amada dona deixa para traz.
 
Caminha com calma e observa com jeito
Cada ente corado de vida, dignos ou indignos.
Inclina a cabeça sobre seu ombro direito,
Sorri com maldade e estreita seus olhos malignos.
 
A caçada começa e ela escolhe uma vitima com esmeros.
Um homem que enfrenta um destino de flagelos
E agora se sente atraído pelos espíritos escuros.
De face e físico absolutamente belos
Que a fazem desejar brincadeiras com gemidos e sussurros
 
Se acerca dele com muito cuidado,
Caminhando ao seu lado durante um par de passos
E deixa cair seu pingente pesado,
Um diamante negro com ouro forjado em laços.
 
Rapidamente ele se inclina para apanhar a jóia
E se perde nas pernas daquela mulher de pele pálida
Ele sobe lentamente pego na tramóia,
Roçando ternamente as frias mãos dela com a sua cálida.
 
Ele tenta ante tanta beleza controlar-se,
Mas não consegue emitir som algum em rubor.
Gagueja toscamente para apresentar-se,
Mas ela cala seus lábios com um dedo indicador.
 
Ele se deixa levar até uma galeria a muito abandonada.
Ela tapa seus olhos com uma venda
E sussurra palavras inaudíveis que deixam a pele dele arrepiada.
 
Ela invoca sua existência maligna e convida desta vez uma menina
Para que observe aquele ato que esta por cometer.
Le indica que se mantenha em silencio e sorri com maldade ferina,
E a criança maldita fica quieta a obedecer.
 
Dando-lhe as costas ela se senta nas pernas de sua vitima
E coloca as mãos dele embaixo daquelas capas de tule profano.
Sente que ele aperta sua carne e se estremece numa onda legitima.
Se deixa levar e seus gemidos provocam a excitação total do humano.
 
Sua cadeira se contorce para traz e para frente,
Sentindo o prazer que quase a leva ao orgasmo.
Gira sobre si mesma dando meia volta e o observa calmamente,
Recuperando a noção do tempo e de sua missão com entusiasmo.
 
Com fúria e apetite voraz, crava seus caninos afiados no pescoço da vítima,
Saboreando cada gota de sangue que tenta de sua boca escapar.
Sem dar-lhe tempo de reagir, absorve com delicadeza aquela alma,
Que logo mais será parte de seu diabólico altar.
 
………………………………………
 
Ninguém ante seus encantos pode resistir.
Ninguém sabe como enfrentá-la nem como tratá-la.
Seu nome real ninguém foi capaz de descobrir.
Princesa da Escuridão é a alcunha que a muito se fala.

Todos só sabem que em noites de lua cheia o de eclipses lunares,
Ela sai a caçar e não ha alma que possa ser salva, em todos os lugares.
 
…………………………….
 
Um corpo. Um cadáver. Um pedaço de carne sem vida.
Vermes e fungos nauseabundos em carne apodrecida.
Um algibe que esconde os lamentos de uma alma perdida.
 
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