quarta-feira, 27 de junho de 2012

O Fantasma

Vagando só
De parede em parede
Perdido no pó
Sem fome ou sede
 
Não sei quando foi
Que deixei de sentir
Não sei por que foi
Que deixei de existir
 
Assisti aos lamentos
Dos que me eram caros
Revivi os momentos
Mais marcantes e raros
 
Vivi o terror
De estar invisível
Senti o horror
De ser inaudível
 
Mergulhei na insanidade
Por não aceitar a morte
Vasculhei toda a cidade
Visando mudar a sorte
 
Não achei o paraíso
Nem ao inferno cheguei
Na escuridão agonizo
Sem saber aonde irei
 
.

domingo, 24 de junho de 2012

Desatino

Observo o belo por do sol
O Céu em tons de pêssego
Cortado pela luz do farol
Que gira sempre sem sossego
 
Minhas lagrimas rolam
Tão salgadas quanto o mar
Lembranças que me assolam
E me faz no tempo voltar
 
Conhecemos-nos no colegial
E vivemos um intenso amor
Nas sombras do taquaral
Ou na velha paineira em flor
 
A saudade me atormenta
Quando vejo esse céu
A luz do farol alimenta
Essa dor como um fel
 
O sentido de sua ausência
É uma presença constante
No coração e na consciência
Uma dor sempre pulsante
 
Eu quero te reencontrar
Levando em meu coração
Um futuro que eu possa criar
Para reviver essa emoção
 
Sentir de novo seu cheiro
Brincar com seus cabelos
Perder-me o dia inteiro
No calor de teus seios
 
Retomar esse amor
Tolhido pelo destino
É meu maior clamor
Meu maior desatino
 
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domingo, 17 de junho de 2012

Exílio

Sempre andando
Sem nunca parar
Apenas olhando
Aonde vou chegar
 
Por terras estranhas
Cada vez mais longe
Além das montanhas
Como um monge
 
Saudade eu já senti
Até a dor morrer
Principalmente de ti
Meu maior querer
 
Destino cruel e nefasto
Que me deixou sem lar
Neste mundo vasto
Não tenho mais lugar
 
Nunca posso deixar rastro
Jamais irei criar raízes
Viajando sempre sem lastro
E sem momentos felizes
 
Estou apenas existindo
Já não tenho mais vida
Todo dia estou fugindo
Da morte prometida
 
Fui traído e condenado
Sem direito à defesa
Pela fuga sigo exilado
Desprovido de nobreza
 
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quarta-feira, 13 de junho de 2012

Conselhos


Morrer é questão de tempo
Viver é justamente o contrário
Quem sonha vive mais tempo
Mais vale a fé que o rosário
 

Deus não esta aqui para ajudar
E Ele não pede nada em troca
O que ao Infinito podemos dar?
Apenas o Amor a Ele toca


Quem muito busca a verdade
Vai acabar por encontrá-la
Mas sem a fé e a caridade
Tu não poderás usá-la


Desde quando morrer faz parte da vida?
Se descobrires que vais morrer
Continue normalmente com sua lida
O mais maravilhoso ainda esta por acontecer


O medo a partir deste momento
É uma coisa remota do passado
Não busque Deus pelo sofrimento
É pela adoração que se é abençoado


A verdade não grita pela boca
Ela sussurra pelos olhos
Já a lucidez sempre ofusca
É a dúvida quem abre os ferrolhos


Deus não pergunta nem duvida
Isso é coisa meramente nossa
Nunca devemos julgar na vida
Por mais que nossa razão possa


O Silêncio vale como ouro
A sabedoria é uma atitude
Quem ouve, fala em dobro
Pratique sempre essa virtude


Deus não luta, mas ganha
Quando compreenderes
Terás realizado a grande façanha
Mas adeus terá que dizeres
 
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domingo, 10 de junho de 2012

Ninguém Sabe

Ninguém sabe como realmente sou
Que preciso de alguém comigo
Ninguém sabe o quão vazio estou
Ou se é verdade tudo que digo
 
Quem irá me acompanhar?
Quem irá me manter forte?
Quem irá me confortar?
Quem irá me trazer sorte?
 
Minha jornada continua
Em busca de novas bases
E no céu brilha a lua
Com suas novas fases
 
Peço a ela que me ilumine
Vou oferecendo minhas preces
Esperando que a jornada termine
E que me traga muitas benesses
 
Alguém que me de calor
Com quem eu possa viver em paz
Alguém que me de amor
E que eu também seja capaz

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Estrelas e Eras

Vejo no brilho das estrelas
O ressoar de antigas eras
Fixadas em quadros e aquarelas
Abandonados como quimeras
 
O mundo muda velozmente
A cada novo amanhecer
E as estrelas silenciosamente
Assistem ao que vai acontecer
 
Sentimentos soltos ao vento
Numa civilização craquelada
Preces caídas no esquecimento
Onde a fé foi comercializada
 
A herança dos antigos
Foi esquecida e abandonada
A ruína gera novos inimigos
Vivendo uma paz armada
 
Não deixemos o passado morrer
Olhemos novamente para as estrelas
Escutem o que elas têm para dizer
Tragam à luz as velhas aquarelas
 
Vamos resgatar os valores
Vamos fazer o correto
Ser da própria vida senhores
E não um mero objeto
 

domingo, 3 de junho de 2012

Sete vezes......

Sete vezes eu nasci
Sete mares eu cruzei
Sete pecados eu cometi
Sete vezes três eu neguei
 
Sete raios tem o sol
Sete maravilhas eu vi
Sete vezes fui escol
Sete amores eu vivi
 
Sete vezes setenta eu perdoei
Sete raios tem a lua
Sete ondas do oceano eu pulei
Sete mentiras nisso inclua
 
Sete dias eu orei
Sete portas eu abri
Sete pragas eu roguei
Sete trombetas eu ouvi
 
Sete selos eu rompi
Sete arcanjos eu invoquei
Sete demônios eu combati
Sete infernos eu atravessei
 
Sete taças eu bebi
Sete chagas eu curei
Sete léguas eu corri
Sete santos eu visitei
 
Sete universos a existir
Sete filhos para governar
Sete espíritos a fluir
Sete formas de criar