sábado, 16 de maio de 2015

Pequena Alice


Como tu vais, minha pequena Alice?
Vejo sonhos em teus olhos de vidro
Que almejas com esta tua meiguice?

Onde tu vais, minha pequena Alice?
Te vejo perdida dentro de tua mente
Sem revelar o que realmente sente

Olhe em teu peito, pequena Alice
Teu coração partido está jorrando
E as memórias na fenda gritando:
Conserte-o, conserte-o, cara Alice

Mas tu não respondes ó pequena
Continuas perdida na tua meiguice
Olhando só para dentro, serena
Os olhos de vidro da minha Alice


quarta-feira, 13 de maio de 2015

Olhar Frio

Teu frio olhar congela meu espírito
Uma força nascida de um coração partido
Que repele todo e qualquer ato solícito
Declarando todo um futuro por perdido

Onde está a chave do teu coração
Onde foi que perdeste teu sorriso
O teu passado não é uma prisão
O mundo é belo, mas não o paraíso

Não se prenda ao sofrimento
Nem fique agarrada nessa dor
Deixe o tempo trazer o alento
Deixe a vida reacender o amor

Veja a ternura em meu olhar
Sinta o calor da minha pele
Tudo que quero é te cuidar
Mas teu frio olhar me repele


sábado, 9 de maio de 2015

Acordes Escuros

Olhando para o céu através das janelas
Sinto os acordes retorcidos da noite escura
Obscurecendo todo o brilho das estrelas
Favorecendo todos os medos e a loucura

Como foi que cheguei em casa ontem?
Sei apenas que o meu corpo está aqui
Sem a menor lembrança de tudo que vivi
Este desconfortável cenário nada contém

Pensei que agora estaria próximo do fim
Mas algo ainda me faz querer prosseguir
E a morte se faz invisível feito arlequim
Fazendo-me crer que ainda posso fugir

Eu levanto agora os meus olhos negros
Crendo que esta luz nasceu porque eu a vi
Neste mundo pintado com cores que escolhi
Abafando esta noite de escuros alegros



quarta-feira, 6 de maio de 2015

Amor Perdido



Sim, eu sei que você se foi
Sinto o seu toque da minha pele desaparecer
Sim, eu sei que você se foi
Sinto a paisagem que eu vi contigo esmaecer

Me entreguei totalmente a ti
Por sua delicadeza e bondade
Mas só agora eu compreendi
Que não existe a tal eternidade

Sei que meu nome é chamado por tua voz
Mas quem te ouve é o meu coração
Além da porta fechada pelo destino atroz
E só a morte quebrará essa solidão   



sexta-feira, 1 de maio de 2015

O Morto Andante


Por entre estas ruas descoloridas
Somente a minha sombra domina
Numa caminhada profana e indigna
As demais pelo luar são corrompidas

O sol vagueia no horizonte
Buscando pela primavera
E o mundo se desespera
Tendo o frio em seu fronte

O vento é uma mortal carícia
Carregada de dor e solidão
Que traz o sono da perdição
Para os que não tem perícia

Mas em meu peito morreu a morte
Então percorro a noite sem medo
Pois o terror sou eu que concedo
Para aqueles que abusam da sorte


terça-feira, 28 de abril de 2015

Apenas Acabou


Em ruínas tudo fora feito
Tudo o que fora humano
Apenas um ato insano
Sem sequer um pleito

Um teste de possibilidade
Por fracas mãos curiosas
Sem batalhas ruidosas
Sem ódio ou iniqüidade

E enquanto a civilização morria
O tempo aliou-se à natureza
Numa bela noite estrelada e fria
Devolvendo ao mundo sua beleza

E o gênero humano definhou
Sem entender a sua realidade
Agarrando-se na sua saudade
De tudo aquilo que ele sonhou  


sábado, 25 de abril de 2015

Destino Nefando

Um destino marcado
Sangue e linhas tortas
Todo choro sufocado
Paixões e letras mortas
Nada a ser comemorado
Dores e sofrimentos
Cordel de tudo inacabado
Gritos e lamentos
Um amor amordaçado
Ao ódio alimentando
Coração despedaçado
Pulsação silenciando
Tendo o fim determinado
O tempo está minguando
Escapando o significado
Deste destino nefando