domingo, 18 de outubro de 2015

Sempre a Vagar

Lembro que estive a te procurar
Vagando por entre meus sonhos
Repleto de mundos tão estranhos
Sem jamais conseguir te encontrar

Apesar de tu estares aqui agora
Teus olhos aquecem minha tristeza
Estes poços tão profundos de frieza
Parece que a tua alma foi embora

Então sigo com saudades do outrora
Tornando-me a cada dia mais forte
Buscando dar a minha vida o Norte
Para encontrar a felicidade na aurora

E em meus sonhos continuo a vagar
Procurando em vão pela tua alma
Mantendo meu coração em calma
Assim a saudade não irá me afogar  



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Visões

Eu vejo um oceano de lamentos
Vejo sonhos sendo abandonados
E seres por esperança sedentos
Que por ódio seguem ignorados

Eu vejo as irmandades perdidas
Com honras e votos degradados
Vejo bestas não mais escondidas
Tramando contra os imaculados

Eu vejo que a terra está ferida
E que ela clama pela revolução
Eu vejo a dor ainda não sofrida
Sendo aclamada como solução

Eu vejo o fim sendo procurado
Como se ele fosse uma benção
Eu vejo um desejo deturpado
Chocando um ovo de perdição



domingo, 11 de outubro de 2015

Lua Vermelha

A lua vermelha no levante
Anuncia as dores do mundo
Que busca num rompante
Um recomeço mais fecundo

A vida segue agonizante
À beira do grande deserto
Decretando o futuro incerto
Em algum ponto do poente

As areias ao tempo escutam
Sussurrando depois aos ventos
Suas alegrias e seus lamentos
Com seres que nas dunas lutam

É apenas fim de mais uma era
Onde até as estrelas mudaram
E muitas novas esferas criaram
Sendo a vida apenas quimera


   

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Um Sonho


Vimo-nos apenas uma vez
Em algum lugar do passado
Em um instante inapropriado
Fato que nunca mais se refez

Mas em mim ficou marcado
Como um momento radiante
Com o teu sorriso inebriante
E por tua doçura emoldurado

Agora busco a luz dos teus olhos
Procuro a esmo pelas tuas curvas
Perambulando sem rumo nas ruas
Perscrutando tal fazem os corvos

Mas absolutamente nada consigo
O mundo a tua existência tragara
Parecendo que tudo eu sonhara
Restando o desejo de estar contigo



domingo, 4 de outubro de 2015

Malévolo

São múltiplos os caminhos
Mas há apenas um destino
Cheio de dores e espinhos
Um aparente castigo divino

E quanto mais o tempo passa
Mais próximo ele se apresenta
Parecendo estar à minha caça
Tão feroz quanto uma tormenta

Ele não quer minha rendição
Muito menos oferece trégua
Não vislumbro sua condição
O inverossímil é a sua régua

Sente prazer com a minha luta
Minha determinação lhe enleva
Sua motivação está na disputa
Apenas uma existência maleva



quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Na Borda


Percorremos em passos lentos
Um caminho de vis tormentos
Engendrado por poder e ganância
Alimentados por farta ignorância

A pedra fundamental está perdida
Engessada pela falsa fé em letra fria
A intolerância ganhou carta de alforria
E o ódio é destilado em plena avenida

A verdade não mais se revela
E poucos saem em sua busca
Buscam só aquilo que ofusca
Um luxo mais pobre que favela

A necessidade foi esquecida
A ostentação é o novo vício
E tudo beirando o precipício
A múltipla falência garantida


domingo, 27 de setembro de 2015

Leveza

Sigo solto como vento
Sem rumo ou objetivo
Um coração impulsivo
Por liberdade, sedento

Apenas o sol é meu amigo
Apenas a lua me acalenta
Flerto feliz com a tormenta
E brinco com cada perigo

A natureza é uma aventura
As estrelas são testemunhas
Jamais carrego caramunhas
Meu passado nada murmura

A solidão é boa companheira
Mas às vezes se faz ausente
E o destino traz um presente
O sabor de paixão verdadeira