quarta-feira, 17 de julho de 2013

Fogo Fátuo

Sinto o vazio me levar
Sem pressa ou demora
Um constante vagar
Pelo mundo afora

Sem nada para segurar
Sem ter no que agarrar
Uma inércia sem rumo
Um risco que assumo

A dor gerou desapego
A saudade trouxe inação
O sofrimento é cego
O ódio tira a razão

A jornada parece não ter fim
E muito menos um propósito
A solidão aconchega em mim
A tristeza me faz de depósito

Uma alma à deriva
Uma mente no vácuo
Sem qualquer alternativa
Perecendo com fogo fátuo


 . 

domingo, 14 de julho de 2013

Condenação

Vejo a mentira em teus olhos
Tem cheiro de sangue no ar
Onde estão todos os outros?
Deles você deveria cuidar

Não honraste tua palavra
Deixaste o inimigo adentrar
Abandonaste a tua lavra
Sua lamina a enferrujar

Profanaste a tua terra
Por medo e egoísmo
O inocente agora berra
Por não teres altruísmo

Em que momento tu perderas a fé?
Onde está o amor que sentias pelos teus?
Escondestes na batalha em meio à ralé
Mas não podes fugir dos olhos de Deus

O sangue inocente maculou a terra
O progresso estará perdido por eras
O ódio agora por tudo se encerra
E a vingança gerará muitas feras

Longa será a caminhada até o perdão
Jamais será possível uma reparação
A paz que vier sentir será apenas ilusão
Tudo será castigo por não cumprir sua missão.

  

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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Um Ponto de Vista

Vejo essa gente pequena
Sombrias, sujas e sem hora
Sempre a esperar na esquina
Aquilo que as levam embora

E na espera trocam mesquinharias
Permutam ignorâncias mutuas
Revelam o vazio de suas agonias
Aos berros no cruzamento das ruas

A sujeira no entorno se acumula
O cheiro é acido as narinas que passam
Por isso ali quase ninguém circula
Um sargaço humano que poucos atravessam

Torresmos falsos com guaraná
Filmes gravados em qualquer lugar
Ninguém que veio do Paraná
Uma poça d’água para tudo sujar

O almejado chega
Apenas um reflexo daqueles que esperam
Amaldiçoado seja
Espirrando água naqueles que ali esperam

Alguns sobem
Outros descem
Mas parece que nada mudou
Igual a quem foi é quem ficou


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domingo, 7 de julho de 2013

Ilusão de Eterno

Vejo um mar de tumbas caiadas
Onde milhares de sonhos jazem
Seres que tinham as horas contadas
Mas iludiam-se como todos fazem

Por que o homem concebeu a eternidade?
Donde vem essa ilusão tão doce?
Que transforma a vida em temeridade
Que taxa a velha amiga de precoce

O amanhã é o ouro dos tolos
De ontem só restou sequelas
Agora temos belas aquarelas
Então não cultive desconsolos

O ar que sentes é prova de vida
Não as ilusões que a mente cria
Respire fundo e abrace ao dia
Realize o que te propõe à lida

Viva como se o sono fosse a morte
Acorde como quem acaba de renascer
Não deixe nada por conta da sorte
Não espere pelo que talvez não vá nascer


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ébrio de Paixão


Ébrio eu estou agora
Pela sua pele cremosa
Respirando com demora
Em cada curva formosa

Onde é meu começo?
Onde você termina?
Eu apenas permaneço
Aonde você determina

Foge-me do tempo à noção
Perco do espaço a razão
Sem distinguir real de ilusão
Apenas toque e emoção

Pegue-me
Possua o que já é teu
O amor foi quem te deu
Ele está no leme

Beije minha boca
Como fruta madura
Molhada e loca
Pela sua doçura

Ata-me em teus abraços
Transforme pernas em laços
Amantes alveolados
Desejos inflamados



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domingo, 30 de junho de 2013

Aquele Olhar

Saudade de aquele olhar
Enviesado, feliz e maroto
Saudade que me faz pensar
Se um dia serei feliz de novo

Aquele olhar de entendimento
Solidário ou de arrependimento
Aquele olhar temperado de amor
Que divide a alegria ou a dor

Que saudade daquele olhar
Que dava conforto sem palavras
Saudade que me faz pensar
Quão solitárias são minhas lavras

Aquele olhar de cumplicidade
Sem razão ou menor temeridade
Aquele olhar prenhe de premências
Que mostrava além das aparências

Que saudade daquele olhar
Saudade movida pela carência
Carência que me faz pensar
Que em minha vida há ausência

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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Libertação

Até ontem eu estava preso
Numa vida que não escolhi
Meus desejos em desprezo
Pelos outros eu me encolhi

Uma solitária caminhada
Pelas felicidades alheias
Minha alma amordaçada
Enquanto outras teciam teias

Realizando sonhos estranhos
Para agradar falsas paixões
Seres de egoísmos medonhos
Que me davam apenas ilusões

Mas o vazio foi crescendo
Minha alma se rebelando
Meu coração morrendo
E meu tempo passando

Então pela primeira vez
Eu pedi algo por mim
E me olharam com altivez
Desdenhando o meu fim

As ilusões então se esfarelaram
A tristeza mostrou-me a sua face
A verdade meus olhos enxergaram
E meu coração desfez o enlace

Abandonei meus algozes
Seguindo novos caminhos
Aos meus sonhos dei vozes
Sem temer pelos espinhos

Agora tenho as minhas asas
Para alcançar aquele céu
Sem aquelas emoções rasas
Que só me traziam fel



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