quarta-feira, 10 de junho de 2015

Luar Evanescente

Divino vento da primavera
Tire-me esse sentimento
Que só me traz tormento
E a minha alma desespera

Leve-o ao brilho evanescente
Da lua cheia em seu poente
Liberte meu flagelado coração
Das garras dessa falsa paixão

A flor mais bela e imutável
É tão frigida quanto você
Gira o mundo a sua mercê
Tornando-se algo intragável

Palavras não te comovem
Perdem-se ao divino vento
Queria asas neste momento
Para ir onde elas se movem

Eu prefiro um demônio virar
A ter que devorar essa dor
Divino vento me faça o favor
Deste sofrimento me livrar

Deixe-o com a lua no poente
Diluído no brilho evanescente
Para meu coração se libertar
Para essa falsa paixão acabar



domingo, 7 de junho de 2015

A Morte, O Amor e a Vida


Eu pensei que conseguiria alcançar
A profundidade desta tua imensidão
Pondo fim na minha e na tua solidão
Ganhando a liberdade de te abraçar

Mas para a minha tristeza, nu me vejo
Estando sem eco ou sequer um contato
Não me restando nada mais de concreto
Apenas sentindo por ti saudade e desejo

Agora coloco minha alma neste portal
Para uma morte razoável que morreu
Uma morte sem coroa e sem funeral
Apenas para enterrar o que se perdeu

Estou deitado sobre ondas derradeiras
Pelo veneno das cinzas de um amor
A solidão se espalha feito um torpor
Congelando o sangue em minhas veias

Eu queria desvencilhar a minha vida da vida
Eu queria compartilhar a morte com a morte
Fazendo o meu coração desistir de toda lida
Fazendo o mundo engolir toda essa má sorte

Mas é claro que nada aconteceu
Não houve curvas ou nevoeiro
Sequer um assombro derradeiro
O bem se foi e o mal não apareceu

Livrei as mãos entrelaçadas do gelo
Tirei o inverno de dentro da alma
E o desejo de viver em fuga calma
E sob a luz do fogo tudo ficou belo

E com o calor do fogo o amor reviveu
A sombra deu lugar ao céu estrelado
Em meu sangue o frio foi derrotado
E uma nova vida o destino concedeu




quarta-feira, 3 de junho de 2015

Amor Sem Jeito


Acho que o melhor é nos afastarmos por agora
Enquanto ainda nos restam boas lembranças
Estamos nos entendendo errado nesta hora
E vamos acabar por consumir as esperanças

Não venha para mim do jeito que hoje sou
Não fique me observando onde quer que vá
Não me deixe com esse sorriso que estou
Não me importa quem você é, foi ou será

Eu orei pedindo uma eternidade sem fim
Em um céu que se alongue para sempre
Onde você estaria sempre perto de mim
E a felicidade não seria só um vislumbre

Como se fosse um mar sem fundo
Você mergulhou em meu coração
Para tomar-me de minha escuridão
Criando esse sentimento fecundo

Agora quero te entregar este sentimento
Que já não cabe mais em meu peito
Para acabar com este pesado sofrimento
Pois este amor já não tem mais jeito



quinta-feira, 28 de maio de 2015

Tempestade e Penedo

A minha solidão se arrasta
Entre estas tristes melodias
Na escuridão de noites frias
Sem nunca saber onde está

Dissecando cada lembrança
Bebendo o fel de cada detalhe
E em cada gole surge um entalhe
Em meu coração sem esperança

Sinto saudades do mar aberto
De ter a luz do sol a me queimar
Poder encher meus pulmões de ar
Com cheiro de sal sempre perto

Mas já não posso mais navegar
Pois não só a quilha foi partida
Minha alma também foi perdida
Naquela última noite sem luar

E você foi a tempestade
E também o penedo
Que plantou o medo
E afogou a felicidade



quarta-feira, 27 de maio de 2015

Um Mau Rapaz

Ó meu Pai
Não dá mais para segurar
Ela me desdenha com o olhar

Ó meu Deus
Ela faz pouco de meu amor
Me maltratando sem pudor

Então eu te peço
Depois te confesso
Vou ser um mau rapaz

Ao menos uma vez
Para pôr um fim na insensatez
De todo o mal que ela me faz

Permita-me Deus
Esquecer os conselhos teus
E ser um mau rapaz

Apenas uma vez
Para devolver o mal que ela fez
Pois só assim eu terei paz




domingo, 24 de maio de 2015

Encontro ao Acaso



























Está tudo bem com você?

Palavras jogadas aos meus pés
Por alguém que pensei não mais ver
Nossos olhares mantidos em viés
Disse sim, sem saber o que dizer

E com você, tudo bem?

Palavras recolhidas do chão
E devolvidas em supetão
Sobre o que eu não queria saber
Que não tinham razão de ser

E uma resposta brotou
Com explicações vazias
Palavras metálicas e frias
Que nada em mim afetou

Não percebes que nada restou?
Que já não há mais o que dizer?
Que nosso tempo já passou?
Que não estou mais a sofrer?

E seguiram-se mais palavras vazias
Tão frias quanto a manhã de domingo
Sobre fatos que não tem mais valias
Um sentimento que não mais distingo




quarta-feira, 20 de maio de 2015

Silencioso Fim



Entre as velhas paredes silenciosas
De um castelo ruindo em lembranças
Em um tempo sedento por mudanças
Meu escuro eu passa horas ociosas

Sinto que estou a desaparecer
Para a morte daria boas vindas
Reunindo as estrelas mais lindas
Para um castelo de areia fazer

E nele entoaria uma suave prece
Ouvindo os passos da ceifeira
Aceitando a emboscada certeira
Que põe fim em tudo que padece

E as areias voltarão a escorrer
Neste tempo sedento por mudanças
Em um castelo ruindo em lembranças
Onde as estrelas irão desaparecer