domingo, 9 de dezembro de 2012

A Poderosa Dama

Uma poderosa Dama chega ao vale
Vestida em belos tons de cinza e azul
Ela faz de cúmulos escuros seu chale
Dançando sobre as montanhas ao sul

Duas companheiras ela traz consigo
Uma esta livre e dança alegremente
Nutrindo a terra com seu poder antigo
Ela é a Vida e porta-se calidamente

A segunda vem cativa e muito furiosa
É a Morte engendrada em correntes
Uma delas é invisível, mas poderosa
As outras são douradas e flamejantes

Sobre o vale elas avançam a dançar
Cabe a Mata ser a primeira as receber
As arvores fincam raízes para esperar
E fecham suas folhas para não perecer

Algumas se curvam frente à beligerância
Outras se mantêm eretas em seu orgulho
Varias pagarão com a vida pela arrogância
A Morte como um falcão faz seu mergulho

A corrente invisível açoita a Mata
Galhos se quebram e ninhos caem
A Morte insaciável muda de chibata
As correntes flamejantes aparecem

Galhos explodem e copas queimam
O incêndio se espalha pela floresta
Mas a Vida e suas dádivas chegam
Apagando o fogo da Morte nefasta

Dançando sobre a Mata elas se vão
E chegam as margens do Grande Rio
Ele recebe o trio com muita satisfação
A Morte em correntes não lhe é desafio

A Vida nutre ao Grande Rio
A Morte assiste indiferente
Sobre seu leito dança o trio
Até que a Morte olha à frente

Há uma Dama de Ferro sobre o rio
Com um braço apoiado em cada margem
Seus pés estão fincados no leito frio
Dando há séculos uma segura passagem

A Morta lança sua corrente invisível
Mas a Dama de Ferro não se abala
A fúria da Morte fica mais terrível
E com as flamejantes tenta dominá-la

O fogo percorre os braços metálicos da Dama
E se perde por debaixo das águas do Rio
Cada joia de luz moderna que ela usa se queima
Mas seu corpo não sofre sequer um arrepio

A Morte frustrada se lança sobre a cidade
E joga sobre ela suas correntes flamejantes
Mas ali impera a ciência e a modernidade
Gigantescas agulhas prendem suas correntes

Sem o poder devastador das flamejantes
Ela açoita a cidade com a invisível corrente
Lixo, telhas e placas alçam voos alucinantes
Mas as construções resistem bravamente

A Vida também chega à cidade
Despejando nela sua dádiva
A dança continua em velocidade
A espera é a única alternativa

No solo impermeável da cidade
Não penetra a dádiva da Vida
Correntes formam em velocidade
E são tomadas pela Morte atrevida

Ruas inundam rapidamente
Afogando animais e pessoas
A Morte fica feliz finalmente
E a Vida cai em tristes nevoas

Mas a Poderosa Dama avança
Levando sua dança para o norte
O vale agora em paz descansa
Achando que teve muita sorte  

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3 comentários:

  1. Walnice Helena Zuffo10 de dezembro de 2012 09:44

    ...entre parabolas as revelações. Quanta imaginação! Parabens. Queremos mais!

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  2. Magnifica!!!!nossa sem palavras;demais;

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  3. parabens !!! gostei muito continue assim !!

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Muito obrigado por sua opinião.