quarta-feira, 17 de abril de 2013

Lembranças & Lágrimas


Onde tu estás agora com teu sorriso
Para onde tu foste com tua alegria
Você não mais está aqui comigo
Eu não vi como você se despedia

A solidão agora é uma nave vazia
Cruzando o espaço que tu ocupavas
O vasto amor que a esperança nutria
Dissolveu-se no vácuo que tu deixaras

Sigo sem rumo por entre estrelas frias
Apenas a escuridão agora me abraça
Saudades do calor de tuas mãos macias
E do doce torpor que não mais me enlaça

Tu não me disseste o que lhe faltava
Tu não me apresentaras queixa alguma
Saístes de minha vida enquanto falava
Amenidades sem importância nenhuma

Eu nunca vivi uma situação tão triste
Meu coração está buscando as razões
Para o fim de um amor que ainda existe
E a mente vaga perdida entre emoções

As lembranças são tão quentes e molhadas
Quanto às lágrimas que me rolam pela face
As primeiras são doces e as demais salgadas
Extremos que a dor percorre em um enlace

domingo, 14 de abril de 2013

Sob a Pele de Cordeiro


Uma ignorância se alastra
Sobre um manto de fé cega
E toda uma nação ela castra
Por força do medo que carrega

Medo de ter a liberdade
Medo de viver a solidão
Medo da responsabilidade
Medo de tomar a decisão

Então tudo a massa delega
Aos que dizem falar por Deus
E ao Verdadeiro ela renega
Sem pensar em si e nos seus

Os charlatães lucram
Em nome do Cristo
E os lúcidos sangram
Por discordar disto

Os mártires virão das minorias
As minorias virarão os mártires
A mais perigosa das teocracias
No Congresso já ocupa lugares

Onde estão os cristãos e os espíritas?
Onde estão os orientais e os africanos?
O que fazem os humanistas e os ateístas?
O que fazem os verdadeiros humanos?

Há nuvens cinza no horizonte
E cheiro de tempestade no ar
Um grande mal se faz presente
Sob a pele de cordeiro no altar


.  

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Paixão Nefasta


Não faz sentido
Sentir essa dor
Não faz sentido
Viver esse amor

Sofrimento errante
Que dilacera a alma
Paixão sufocante
Que me tira a forma

Uma boca sensual
Em uma mente fria
Uma libido animal
Numa razão sombria

Um jogo por prazer
Um prazer no engodo
Na falta do que fazer
Espalha dor e medo

Um olhar de rapina
Mascarado de ternura
Uma língua ferina
Que mentiras sussurra

Tu és a filha de Lilith
Perdição dos filhos de Eva
O ódio reside em ti
E ao seio da Morte nos leva


domingo, 7 de abril de 2013

Apenas Culpados


Eu vejo a escuridão
Em que o mundo mergulha
Sem fé e nem razão
Uma única bala na agulha

O próximo está morto
E Deus foi abandonado
O Estado está torto
E o cidadão desesperado

Impera a lei do mais forte
A única busca é a satisfação
A justiça não tem mais norte
A milícia está de prontidão

Os valores foram perdidos
A mídia ha muito se vendeu
Torpes estão os sentidos
O sofrimento não convenceu

A pobreza virou desculpa
Para falta de hombridade
E ninguém assume a culpa
Pelos atos de impunidade

Pais preocupados com mais valia
Não constroem mais valores
Um campo fértil para a covardia
Um grande circo de horrores

A morte está banalizada
O sucesso é medido em saldos
A esperança foi fossilizada
A honestidade é para os parvos

Todos querem os direitos
Ninguém quer os deveres
Põe-se a culpa nos eleitos
Mas ela é dos eleitores



quarta-feira, 3 de abril de 2013

Frio & Escuridão


Alguma coisa se quebrou
Em algum lugar da minha alma
Onde o tempo congelou
E a tristeza lá vive com calma

Abriu um deserto sem fim
Uma escuridão gelada
Sem estrelas ou jardim
Apenas terra desolada

Isolei esse mundo morto
Dentro de minha mente
Buscando algum conforto
E uma alegria aparente

Mas ele cresce lentamente
E derruba minhas barreiras
Uma força teimosa e latente
Que não gosta de fronteiras

Como ilumino esse deserto?
Como aqueço esse rincão?
Antes que engula meu espírito
Antes que pare meu coração

Forças eu já não tenho
Para conter seu progresso
Este hoje é meu maior sonho
Reverter todo esse processo

Será que devo desbravar essa terra?
Será que devo mergulhar nessa escuridão?
Aceitar a dor que há muito ali se enterra?
Destruir de vez o que está quebrado no chão?



domingo, 31 de março de 2013

Lembranças de Uma Velha Amiga


Em busca do prazer
Encontrei a dor
Em busca do viver
Encontrei temor

Em minha mente
Já não posso confiar
Um grito estridente
Que não quer calar

São estas lembranças tuas
Velha e Poderosa Amiga?
A minha alma tu buscas
Nesta sua nova intriga?

Medo a ti não tenho
Pois estas sempre a me rondar
Mas a este lenho
Eu ainda não quero queimar

Tenho caminhos a percorrer
Tenho coisas para falar
Tenho muito que aprender
Tenho atos para praticar

Este mundo é tão belo
Muita coisa eu ainda não vi
Então faço um pedido singelo
Quero continuar por aqui

Mas se não houver concórdia
Não me venha com guerrilha
Lance mão da misericórdia
E tome de vez a bastilha


quarta-feira, 27 de março de 2013

Dragão de Fogo


Ele olha a sua volta
Sem nada entender
Uma baforada ele solta
Que queima sem arder

Criado num instante
Por ordem celeste
Um ser altivo e vibrante
Um Elemental inconteste

Ele corre sobre a terra
Mas a gravidade não o prende
Alça voo sobre a serra
O frio vento sul a ele se rende

Entre nuvens ele grita
Carregando-as com sua poder
A atmosfera se agita
Raios iluminam o anoitecer

O fogo renova a vida
A chuva abençoa a terra
A esperança é mantida
Em mais uma primavera

Ele vê o calor dos seres
E as entranhas do mundo
O fogo traz seus prazeres
Vividos a cada segundo

A sabedoria nele se agrega
A intuição o faz tudo conhecer
A vontade divina se congrega
Como Dragão se faz perceber